Filosofia, Espiritualidade e Saúde

Como nasceu a linha de pesquisa

A linha de pesquisa Filosofia, Espiritualidade e Saúde, ligada ao Grupo de Estudos de Filosofia da Saúde - UNIFESP/CNPq, nasceu como um Grupo de Estudos que se propunha a dialogar sobre temas ligados à Religião, Religiosidade e Espiritualidade, a partir da Literatura. No primeiro ano, nos dedicamos ao estudo do livro As tentações de Santo Antão de Gustave Flaubert, a partir do qual fomos percebendo a necessidade de aprofundar os temas e a interface entre as diferentes áreas do conhecimento, do que decorreu a caracterização da linha de pesquisa.

A experiência da leitura do livro de Flaubert e a reflexões do Grupo a respeito podem ser conhecidas no artigo As Tentações de Santo Antão de Flaubert e a Questão da Experiência de Espiritualidade no Deserto - leia o artigo!

Como linha de pesquisa, Filosofia, Espiritualidade e Saúde pretende investigar, fundamentada na Filosofia da Religião, um conceito de Espiritualidade no campo da Saúde, sobretudo estabelecendo um diálogo entre Espiritualidade, Saúde e Filosofia, de modo a embasar epistemologicamente a interface dessas áreas. Do ponto de vista da atuação no campo da saúde, oferecer subsídios àqueles que são assistidos e aos que assistem aos doentes a encontrar sentido no sofrimento e razões para viver, ainda que cientes da finitude.

Estudos e Curso de Extensão - 2022

Neste ano de 2022, buscando uma reflexão conjunta acerca da Filosofia e da Espiritualidade, estudamos Hans Jonas, O Conceito de Deus após Auschwitz - Uma voz Judia, obra da qual nos aproximamos situando-a no contexto da obra Mortality and morality: a search for the Good after Auschwitz; o problema do mal e o lugar da experiência judaica no pensamento do autor, de modo a entendermos a visão de Deus presente na obra e o que ela significa em termos de uma filosofia que considere a experiência.


Ainda buscando aprofundar esse tema, esse ano realizamos o I Curso de Extensão Dor e Sofrimento compreendidos pelas diferentes Tradições Religosas - aprendizagens para a assistência e o cuidado em Saúde.

Curso que pretende acrescentar ao escopo das reflexões filosóficas no campo da saúde a compreensão da dor e do sofrimento nas tradições Judaica, Cristã, Islâmica, Espírita, Budista; nas tradições de matriz africana Candomblé e Umbanda e nas Tradições Indígenas, de modo a proporcionar aos profissionais de saúde, bem como aos interessados e estudantes da área, uma maior compreensão da nossa condição humana. Trata-se de fomentar discussões acerca das experiências humanas mais corriqueiras e universais - o sofrimento e a dor - e compreender como o ser humano é capaz de suportar o sofrimento ao longo de sua existência, mediado por suas diferentes concepções religiosas.

Durante 3 anos o curso foi uma disciplina eletiva da graduação, dividido em duas partes. Na versão como curso de extensão, ganhou duas aulas a mais, uma primeira para apresentar a interface entre Filosofia, Espiritualidade e Saúde e uma, ao final, para pensarmos acerca do ateísmo, a partir da visão de uma espiritualidade atéia, do filósofo André Comte-Sponville.

Saiba mais


Sobre a imagem:

Santo Agostinho, de Philippe de Champaigne, 1650. Nesta pintura, o artista flamengo Philippe de Champaigne retrata Agostinho em seu estúdio. Na mão direita Agostinho segura uma caneta de penas e, na esquerda, um coração flamejante. Razão e emoção, uma em cada mão. O coração flamejante , um coração em chamas por Deus, era um dos atributos tradicionais de Agostinho. Ele ainda olha paara cima, para a luz, e o coração ardente também aponta nessa direção, ligando o humano ao divino.

A pintura está localizada no Museu de Arte do Condado de Los Angeles, na Califórnia.

Fonte: https://pt.m.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Saint_Augustine_by_Philippe_de_Champaigne.jpg